Como é possível o intestino ter 'neurônios próprios'?
O intestino possui uma extensa rede de neurónios chamada sistema nervoso entérico.
Ela consegue controlar muitas funções do aparelho digestivo com relativa independência do cérebro, embora permaneça em comunicação constante com o sistema nervoso central.
Onde estão esses neurónios?
Os neurónios do sistema nervoso entérico ficam principalmente nas paredes do esófago, estômago e intestino.
Eles estão organizados em redes chamadas plexo mioentérico e plexo submucoso.
O que esses neurónios controlam?
Eles ajudam a controlar funções como:
- movimentos do intestino;
- secreção de substâncias digestivas;
- fluxo sanguíneo local;
- absorção e processamento do conteúdo intestinal;
- coordenação da passagem dos alimentos.
Isso permite que o intestino ajuste muitas dessas funções localmente.
O intestino funciona sem o cérebro?
Em grande parte, sim.
O sistema nervoso entérico consegue coordenar movimentos e secreções mesmo quando a comunicação direta com o cérebro é reduzida.
Isso não significa que o intestino seja completamente independente. O sistema nervoso autónomo e o cérebro podem alterar a atividade intestinal conforme o estado do organismo.
Como o intestino sabe quando movimentar os alimentos?
As paredes intestinais possuem sensores que detectam distensão e características químicas do conteúdo.
Essas informações ativam circuitos locais que coordenam a contração de determinados segmentos e o relaxamento de outros.
Esse processo produz movimentos chamados peristaltismo, que empurram o conteúdo ao longo do tubo digestivo.
O cérebro precisa enviar cada ordem?
Não.
Essa é uma das características mais interessantes do sistema nervoso entérico.
Ele possui circuitos locais capazes de receber informações, processá-las e produzir respostas sem precisar que cada movimento seja comandado individualmente pelo cérebro.
O intestino comunica-se com o cérebro?
Sim.
Existe uma comunicação constante entre os dois através de vias nervosas, hormonais e imunológicas.
O nervo vago é uma das principais vias nervosas que transportam informações entre o aparelho digestivo e o cérebro.
É por isso que emoções podem afetar o intestino?
Em parte.
O cérebro pode alterar a atividade do sistema digestivo através do sistema nervoso autónomo.
Por isso, stress, ansiedade ou medo podem provocar alterações nos movimentos intestinais, sensação de “frio na barriga” ou vontade de evacuar.
Os neurónios do intestino são iguais aos do cérebro?
Eles utilizam muitos dos mesmos tipos de neurónios e neurotransmissores, mas estão organizados de acordo com as necessidades do sistema digestivo.
O sistema nervoso entérico é especializado principalmente em coordenar as funções do aparelho digestivo.
O intestino realmente “pensa”?
Não no sentido de possuir pensamentos, consciência ou raciocínio como o cérebro.
A expressão “segundo cérebro” é usada para destacar a complexidade do sistema nervoso entérico, mas ele não funciona como uma segunda mente.
Em resumo
O intestino possui “neurónios próprios” porque contém o sistema nervoso entérico, uma extensa rede de células nervosas capaz de detectar alterações no conteúdo intestinal e coordenar movimentos, secreções e outras funções digestivas. Ele pode funcionar de forma relativamente independente, mas mantém comunicação constante com o cérebro.
